Como em tudo na vida, a meditação não é para todas as pessoas.
Apesar de todos nascermos e vivermos com essa capacidade para meditar, nem todos estão dispostos a entrar nesta descoberta e, obviamente, a empenharem-se nela. Quem procura a meditação apenas para relaxar acaba por ficar confuso e facilmente se desinteressa por esse momento a sós consigo próprio/a. Para que possamos experienciar esse sabor subtil necessitamos de estar profundamente relaxados e isto significa que o relaxamento não é um ponto de chegada mas sim um importante ponto de partida.
Quem procura a meditação para parar os seus pensamentos rapidamente percebe que isso não é possível. Não há ninguém no mundo que não tenha pensamentos – não existe Professor/Mestre/Guru credível que nos fale que a meditação é “não-pensar”! Contudo, a redução (ou quase anulação) da atividade mental é uma das consequências de um estado meditativo profundo.
Então, porque meditamos? Meditamos para experienciar a parte de nós que é livre! Livre de um passado e de um futuro, livre de traumas, dogmas e preconceitos. Essa é a parte de nós que sempre existiu antes de encarnarmos neste corpo (plano tridimensional) e sempre existirá. Nunca criou expectativas nem nunca teve frustrações, nunca se iludiu nem nunca sentiu desilusões, nunca experienciou o desejo e o medo… nem sequer tem identidade! Uns dão-lhe o nome Inner Self, outros chamam-lhe Centelha Divina enquanto a maioria, sem saber realmente do que falam, arriscam chamar-lhe de Deus. Esta parte mais profunda e subtil de todos nós existe onde o tempo e o espaço não existem e, quando estamos despertos para esta natureza (infinita) de nós próprios, experienciamos a liberdade de tudo o que é amargo, duro e desagradável na nossa experiência pessoal, aquilo a que gosto de chamar as queimaduras e cicatrizes da nossa vida. Essas feridas são todos aqueles problemas que dizes ter, todas as fragilidades físicas, mentais ou emocionais, todas as dificuldades financeiras, frustrações e desilusões. Podes estar farto/a da vida que escolheste ter, podes sentir-te preso/a ou até cansado/a. Tudo isso são marcas pessoais da vida.